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Histórias de sucesso

Ivan Lander

Opiliões com Opiniões

por Ivan Lavander Candido Ferreira (São Paulo, SP)

Meu projeto começou há mais ou menos seis anos. Ou seriam mais?

Desde pequeno sempre me interessei por insetos, mais especialmente besouros. Com certeza meus professores da pré-escola e dos primeiros anos do Ensino Fundamental se lembram de mim procurando insetos no jardim. Esse interesse vinha desde pequeno, quando meus pais me enchiam de dinossauros de brinquedo. O melhor ainda era ir à casa de um primo meu, biólogo, que tinha uma vasta coleção entomológica que me deixava fascinado. Queria ser igual a ele.

Bom, meus interesses se estenderam à outras áreas. Culpa da minha mãe; começou a comprar alguns kits de robótica que fizeram minha cabeça. E foi aí que conheci a FEBRACE. Em 2003 assinava uma revista para jovens interessados em mecatrônica. Resolvi mudar de colégio, pois gostaria de ter aulas de robótica - e acabei fazendo todos os módulos do curso, do básico à programação.

Na época, eu queria muito participar da FEBRACE, e tinha certeza que faria isso com um projeto de robótica.

Conhecendo melhor a programação, a biologia voltou a me chamar mais atenção. E, como pontapé inicial, em 2006 comecei a criar opiliões e aranhas em casa. Lendo um pouco sobre os bichos, e juntando algumas informações sobre outros estudos que já eram feitos com outros animais, como vespas, me veio à mente: antibióticos em ovos de opiliões? Não deu pra fazer com opiliões, e acabei usando suas primas. Acabou ficando "Antibióticos em Ovos de Aranha".

Nunca pensei que renderia tanto. Desde pequeno sempre quis trabalhar no Instituto Butantan. Já fazia muito tempo que queria participar da FEBRACE, mas nunca me passou pela cabeça nenhuma premiação. Juntando os três, nenhuma palavra consegue exprimir o que senti na premiação e depois dela. Não mesmo.

É extremamente recompensador. Ontem me perguntaram quais eram as personalidades que me motivavam para a ciência. Newton, Galileu, Da Vinci, Lamarck, Charles Darwin? Com certeza. Mas tenho mais certeza ainda que minha inspiração sempre foi a própria natureza, seja a de seis patas no passado, a de oito patas no presente, e sabe-se lá Deus o que no futuro.

Mas, hoje, o principal motivo para nós estudarmos a natureza é que nunca ela esteve sob tanto risco de sumir. Milhares de hectares são devastados dia após dia de florestas do mundo todo. Para parar com o desflorestamento e a poluição ambiental é necessário se propor novas alternativas como forma de compor um setor econômico mais rentável que a devastação florestal.

Uma das propostas que tomei com um desafio próprio já vem sendo defendida há muito tempo por um dos principais ícones da preservação ambiental no Brasil: o botânico Carlos Alfredo Joly, nome por trás do projeto Biota, voltado para preservação ambiental no Brasil e na África. Segundo ele: "Um dia seremos auto-sustentáveis com os recursos que ganharemos com fármacos". Eu digo mais: espero que sejamos auto-sustentáveis com biofármacos. E que não se restrinja apenas à área farmacêutica. Há muito o que se encontrar nas nossas florestas.

Espero que explorar o potencial econômico da nossa fauna e flora, sirva, sim, para conservá-las, e que a sociedade se volte a favor da natureza. E que desta forma, esses animais continuem sendo ídolos de milhares de pessoas mundo afora. Como disse Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.): "se um caminho é melhor que outro, tenha certeza que este caminho é o mais natural".

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