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25/02/2016 Kawona Vianna explica a iniciativa Cientista Beta

Projeto tem como objetivo aproximar os estudantes da ciência

1. Como surgiu o Cientista Beta e como você se envolveu com ele?

Comecei a fazer projetos científicos desde meu primeiro ano do Ensino Médio, em 2007, quando entrei para uma escola técnica chamada Fundação Liberato (Novo Hamburgo-RS). No curso Técnico de Química eu tinha aulas de metodologia científica já no primeiro ano e minha paixão por esse universo surgiu desde então. Fiz meus projetos sempre buscando a excelência. Na FEBRACE de 2010, recebi o primeiro reconhecimento pelos quatro anos de projetos de pesquisa e fui classificada para a Intel ISEF. Nesse momento, algo inesperado aconteceu: passei a ser uma referência para os mais novos. Muitos vinham pedir conselhos e opiniões sobre seus projetos. Cansei de ler relatórios, pôsteres e planos de pesquisa deles. Fui chamada em escolas e eventos também para falar com jovens sobre ciência. Fazia tudo isso com muito gosto e muita gratidão, mas parecia que eu deveria encontrar uma forma mais direta de poder retornar as oportunidades que recebi. Então, em 2015 eu encontrei a resposta. Criei o Cientista Beta, uma iniciativa que desde o princípio tem o objetivo de aproximar os jovens da ciência mostrando que eles são capazes de desenvolver projetos científicos. Eu estou pensando no Cientista Beta desde 2014, mas comecei a trabalhar nisso efetivamente em maio de 2015. Em setembro, decidi que precisava de mais gente para construí-lo comigo, e foi quando encontrei os primeiros parceiros. De lá para cá, a equipe foi crescendo e hoje somos 9 pessoas trabalhando voluntariamente no Cientista Beta, mas temos muitos outros jovens conectados a gente que contribuem de alguma forma.

2. O que vocês querem com o Cientista Beta?

Queremos aproximar os jovens da ciência, mostrando que, independente da idade e do contexto em que estão inseridos, podem fazer um projeto de pesquisa, desenvolver algo que tenham interesse e que pode impactar o mundo de alguma forma. Queremos que os jovens exercitem seu protagonismo, passem a enxergar os problemas que os cercam como desafios capazes de ser resolvidos com a ciência. Também entendemos que se conseguirmos engajar mais os jovens a desenvolver projetos científicos, vamos contribuir para a construção de uma sociedade melhor, com cidadãos mais conscientes de que eles podem ser agentes ativos de mudança.

3. Como funciona na prática o Cientista Beta?

Atualmente, trabalhamos em duas frentes: inspiração e capacitação. Toda semana publicamos em nosso site alguns textos diversos sobre ciência que explicam algum tema de forma simples e divertida. Além disso, temos a coluna Geração Beta, na qual a cada semana um jovem diferente recebe o espaço para contar a sua história e como a ciência o impactou. São jovens líderes com histórias realmente inspiradoras. Nosso site é o único que conhecemos que tem esse foco de dar espaço para que esses jovens pesquisadores contem de forma contínua suas histórias. Além da produção de conteúdo, estamos desenvolvendo o Programa de Mentoria Decola Beta.

4. O que é o Programa de Mentoria Decola Beta?

O Programa de Mentoria Decola Beta foi desenvolvido para conectar um mentor a um jovem estudante do Ensino Médio que tenha vontade de realizar um projeto científico. Os mentores do Decola Beta são jovens brasileiros com experiência científica, que estão na graduação ou já são formados. Muitos de nossos mentores já receberam reconhecimento de prêmios internacionais que comprovam a excelência desse grupo. Nossa proposta é impactar a vida de jovens brasileiros que tenham vontade de tirar ideias do papel e realizar um projeto de pesquisa. Procuramos estudantes do Ensino Médio dos locais mais remotos e realidades distintas, que tenham brilho no olho, gostem de desafios e sonhem em resolver algum problema de forma científica. Vamos dar condições para que eles desenvolvam um projeto científico, oferecendo um programa de Mentoria que terá a duração de 6 meses. Não queremos mais que o Cientista Beta apenas conte histórias de sucesso na coluna Geração Beta, queremos contribuir desde o início para que essas histórias sejam construídas.

5. Como os jovens podem se inscrever?

Para se inscrever, o jovem deve preencher um formulário online no nosso site, no qual ele coloca seus dados, nos fala sobre sua ideia de projeto, qual impacto pretende causar e envia uma redação respondendo a pergunta “Por que a ciência pode me fazer decolar?”. Os candidatos aprovados para a segunda e última etapa passam por uma entrevista com a nossa equipe. As inscrições estarão abertas até o dia 22 de março.

Mais informações sobre o Programa de Mentoria: http://cientistabeta.com.br/mentoria/

6. O que vocês estão procurando nos candidatos?

Não estamos selecionando as melhores ideias, estamos selecionando jovens. Buscamos estudantes brasileiros que tenham brilho no olho de gostem de desafios. Jovens que tenham uma ideia de projeto que pode ser simples ou complexa, desde que seja algo que desperte sua curiosidade. Não temos restrição de idade, localização ou escola. Todo jovem é bem-vindo e pode se inscrever!

7. Como tem sido a recepção por parte dos colegas e dos professores? Alguma história em particular?

Os jovens estudantes adoram o conteúdo que produzimos. São diversos os e-mails que recebemos de algum deles que quer nos parabenizar pelo que estamos fazendo. Esses dias, uma estudante chamada Maria Eduarda nos enviou um e-mail através do site dizendo que toda semana lia os textos da Geração Beta e quando estava desanimada com os resultados do seu projeto, esses textos inspiradores acabavam incentivando-a a continuar persistindo. Outra história legal é a do Adymailson do Amapá. Ele tem o texto mais lido do nosso site e a história dele é uma daquelas que nos fazem encher os olhos d'água. Depois de ter o texto publicado no site, ele me enviou uma mensagem brincando que estava quase trocando o número do celular de tanta gente que estava indo falar com ele para dar parabéns. Esses dias ele foi reconhecido nas ruas da cidade dele por causa do texto publicado no site!

Aqui está o texto do Adymailson: http://cientistabeta.com.br/2015/11/11/do-laranjal-do-jari-para-o-mundo/

Os professores nos elogiam bastante. Gostam do que estamos fazendo, reconhecem o valor do nosso trabalho. Acho que muitos deles enxergam na gente uma energia e vontade de fazer acontecer que às vezes não existe mais dentro deles.

8. Vocês usam algum modelo ou alguém pelo mundo como inspiração?

Nossa inspiração é muito baseada na experiência que parte da equipe teve quando eram estudantes do Ensino Médio e faziam pesquisa. Nós pudemos experimentar nossos dias como jovens cientistas e todos concordamos que foi uma oportunidade que marcou completamente nossas trajetórias individuais. A parte da equipe que não teve essa experiência acabou absorvendo nossas histórias e é comum que digam que gostariam de poder voltar para o Ensino Médio e poder viver o que nós queremos oferecer para os jovens. Agora que o projeto está no ar, também nos inspiramos muito com as histórias dos jovens que nós convidamos para escrever para o nosso site, os jovens da Geração Beta. Muitas vezes a gente troca mensagens dentro da equipe mesmo dizendo como algum texto que publicamos nos emocionou. Além desses jovens, quando recebemos a mensagem de leitores isso nos inspira muito! É incrível como tantas horas de dedicação são compensadas com um único comentário de algum estudante que nos diz o quanto nosso trabalho faz a diferença na vida deles. Estamos muito longe de chegar onde queremos estar, mas sabemos que isso é natural já que temos apenas 6 meses de existência. Começamos pequenos, estamos andando rápido e, definitivamente, sonhamos grande!

9. Qual foi a história mais legal que aconteceu até agora relacionada ao Cientista Beta?

Uma das experiências mais legais que eu pude viver por causa do Cientista Beta foi poder falar da nossa iniciativa para a Duília de Mello, astrônoma brasileira que trabalha na NASA. Ele tem uma iniciativa que também quer aproximar os jovens brasileiros da ciência e construiu uma trajetória de dar orgulho. Eu me emocionei quando me apresentei a ela, falei da minha história e ela disse que já me conhecia por acompanhar o desempenho do Brasil na Intel ISEF, feira na qual conquistei um prêmio em 2011. Quando que eu imaginaria que uma pessoa como a Duília já teria ouvido falar de mim? Além disso, poder ouvir dela o quanto ela acredita no que estamos fazendo foi sensacional!

10. Como ter participado da FEBRACE e da INTEL ISEF contribuiu para a criação do Cientista Beta?

A FEBRACE de 2010 foi um divisor de águas na minha trajetória. Antes da FEBRACE, eu já buscava dar o melhor de mim nos meus projetos, mas a ausência de reconhecimento nas competições me fazia duvidar do meu potencial. Foi quando a FEBRACE reconheceu nosso projeto científico, o curativo com nanopartículas, que eu passei a ter certeza de que poderia alcançar o que quisesse. A partir de então, o céu passou a ser o limite! Os jovens, muitas vezes só precisam que alguém lhes diga que eles são capazes de grandes realizações, pois energia nós temos de sobra. Se a FEBRACE não tivesse sido tão especial, talvez eu tivesse voltado para casa sem acreditar em mim, e não teria perseguido tantas oportunidades que me tornaram quem eu sou hoje e que possibilitaram a criação do Cientista Beta 5 anos depois.

Representar o Brasil na Intel ISEF em 2010 me fez ver o quanto somos gigantes, como sinto um imenso orgulho do que conseguimos fazer aqui, mesmo em realidades adversas. Percebi que os estudantes americanos até podem ter mais condições de fazer seus projetos, mas que em termos de capacidade e criatividade, não perdemos em nada. Voltei com uma vontade imensa de fazer mais pelo Brasil, de continuar representando nossa nação e acreditando cada vez mais no nosso povo. Todas essas experiências só existiram por causa da FEBRACE de 2010, e foi por terem sido tão marcantes que eu quis construir o Cientista Beta para oferecer o mesmo a outros jovens.

11. Conte um pouco sobre a sua trajetória.

Sou a Kawoana Vianna, tenho 23 anos, sou estudante de Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do sul e Líder do Cientista Beta, uma iniciativa que surgiu após minha experiência como "Jovem Inventora". Estudei na Fundação Liberato (Novo Hamburgo - RS), e em 2009 me desafiei a criar um projeto inovador. Minha avó havia sofrido uma amputação, e por ser diabética, acabou passando por diversas complicações no pós-operatório. Fiquei motivada a poder evitar que outras pessoas passassem pelo mesmo que minha avó. A ideia que surgiu foi utilizar a nanotecnologia para criar um curativo que teria a capacidade de acelerar a cicatrização e evitar infecções no pós-operatório de amputações. Depois, o curativo virou uma meia para diabéticos, pois concluí que mais importante do que tratar as amputações era evitar que elas acontecessem. O diabetes é um problema de saúde mundial, e a maior parte das amputações realizadas hoje, é por complicações da doença. Era isso que eu estava tentando evitar com essa meia impregnada de nanopartículas. O projeto deu certo e já recebeu o 1º lugar no Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, 4º lugar na Intel ISEF (maior feira de jovens cientistas do mundo), dentre diversos outros prêmios. Além disso, tive a oportunidade de fazer um intercâmbio de pesquisa em Israel, junto do Felipe Machado (um dos jovens apresentados no quadro Jovens Inventores). Essas experiências redefiniram meus limites e me tornaram em uma cidadã muito mais responsável, que sonha em contribuir para a construção de um mundo melhor. Atualmente, também sou bolsista da Fundação Estudar. Se quiser saber mais sobre meu projeto, esse programa do Canal Futura resume ele bem.

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