Ideias que transformam: conheça os projetos inovadores da FEBRACE 2025
A maior mostra pré-universitária de ciências e engenharia do Brasil ocorre de 25 a 28 de março na USP, reunindo 300 projetos de estudantes do ensino básico e técnico de todo o país.
Entre os dias 25 e 28 de março, a Universidade de São Paulo (USP) será palco da 23ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), evento que reúne as melhores ideias de jovens cientistas do Brasil. São 300 projetos finalistas, desenvolvidos por 671 estudantes do ensino básico e técnico, que trazem soluções criativas para desafios locais, regionais ou até globais – boa parte deles voltada para sustentabilidade e mitigação de impactos das mudanças climáticas. Os trabalhos concorrem a prêmios como bolsas de estudo, troféus e a chance de representar o Brasil na Regeneron ISEF 2025, a maior feira internacional do gênero, nos Estados Unidos.
Confira abaixo alguns dos projetos de destaque desta edição:
Sistema prevê enchentes e protege comunidades – Após verem uma unidade de saúde da cidade ser alagada repetidas vezes, os estudantes Kayron Iniav Antunes Sanches e Maria Luiza da Silva Trott, do Centro Municipal de Educação Érico Veríssimo, de Sapiranga (RS), desenvolveram o WaterSafe, um sistema de monitoramento e alerta de inundações. A iniciativa ganha ainda mais relevância diante da tragédia causada pelas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. O protótipo utiliza sensores para medir o nível da água e envia os dados para um aplicativo, que exibe alertas em diferentes níveis de risco. Alimentado por energia solar, o sistema pode operar continuamente, permitindo que moradores de áreas vulneráveis acompanhem os índices pluviométricos e se protejam antes que a situação se agrave.
Nanossatélite para detecção de incêndios florestais – Para detectar focos de incêndio e prevenir a destruição de biomas, os estudantes Arthur Amorim Ruschel, Arthur Volkmer de Souza e Érico Pereira Müller, do Colégio João Paulo I, de Porto Alegre (RS), desenvolveram um nanossatélite de baixo custo capaz de monitorar queimadas em tempo real. O dispositivo utiliza sensores de CO2, temperatura, umidade, luminosidade e uma câmera infravermelha para detectar mudanças ambientais que indicam o início de um incêndio. Os dados coletados são enviados via GPS para uma base em solo, permitindo que órgãos ambientais atuem rapidamente no combate ao fogo. Construído com estrutura impressa em 3D, o modelo foi testado em um drone e lançado a aproximadamente 40 km de altitude com um balão meteorológico. Enquanto nanossatélites convencionais custam entre R$ 10 mil e R$ 15 mil, o projeto foi desenvolvido por apenas R$ 1.150,00, tornando-se uma alternativa acessível para monitoramento ambiental e prevenção de desastres.
Absorvente biodegradável e antifúngico – Para reduzir o impacto ambiental do descarte de absorventes convencionais, que levam mais de 400 anos para se decompor, a estudante Jaqueline Souza Andrade e mais três colegas do Centro Territorial de Educação Profissional do Sisal II, de Araci (BA), desenvolveram um absorvente biodegradável feito com bioplástico à base do extrato das folhas de amora. Além de substituir o plástico convencional, o bioplástico tem ação antifúngica e antibacteriana, trazendo benefícios à saúde íntima da mulher. O absorvente mantém o formato e conforto dos produtos tradicionais, mas se decompõe em apenas seis a oito meses.
Bioplástico de café para impressão 3D – Estudantes da EEEM Dom Daniel Comboni, de Nova Venécia (ES), desenvolveram um material inovador à base de borra de café para impressão 3D, adaptando uma impressora 3D convencional para substituir os tradicionais filamentos plásticos por esse resíduo orgânico. A solução proposta pelos alunos permite a criação de objetos moldáveis ou impressos em 3D sem altas temperaturas, reduzindo o consumo de energia e promovendo práticas sustentáveis. Entre os produtos já desenvolvidos estão tubetes biodegradáveis para plantio e telhas reforçadas com fibra de coco, demonstrando a versatilidade e o potencial ambiental do material.
Óculos antissono para evitar acidentes – Para reduzir acidentes causados pela sonolência ao volante, os estudantes Caleb Gomes Menguete Fabris, Henrique Velten da Silva e Natália Dantas Sá, de Guarapari (ES), desenvolveram os Óculos Antissono em Rodovias (ASR). O dispositivo utiliza um sensor infravermelho que monitora os movimentos oculares do motorista. Se os olhos permanecerem fechados por mais de dois segundos, o sistema emite um alerta sonoro e faz os óculos vibrarem, despertando o condutor. Estudos feitos pelos estudantes apontam que dormir ao volante é a terceira maior causa de acidentes envolvendo caminhões em rodovias. Com custo de produção estimado em apenas R$ 122, o ASR é uma alternativa acessível para prevenir acidentes, especialmente em veículos antigos, que não possuem tecnologias semelhantes.
Esses são apenas alguns dos projetos que estarão na FEBRACE 2025. A feira é uma grande vitrine para o talento e a criatividade dos jovens cientistas brasileiros, que desenvolvem soluções para um futuro mais sustentável.
Drink seguro: caneta revela drogas em bebidas adulteradas – Para prevenir o golpe “Boa Noite, Cinderela”, estudantes da E.E.E.P. José Maria Falcão, de Pacajus (CE) desenvolveram a Drug Test Pen, uma caneta capaz de identificar benzodiazepínicos em bebidas adulteradas. O teste é simples: basta riscar um papel ou guardanapo e pingar algumas gotas da bebida. Se aparecerem pontos pretos, significa que há substâncias dopantes na mistura. Enquanto testes similares no exterior custam cerca de R$ 300,00, a Drug Test Pen pode ser produzida por apenas R$ 10,00, tornando a tecnologia acessível para o público geral. O projeto foi criado por Ana Clara Torres do Vale, Ana Letícia Sousa de Oliveira, Bianca Emanuelle da Silva Lino, Maria de Fátima Rodrigues Xavier Soares e Mariana Severiano Menezes.
“Band-aid” biodegradável de mandioca e barbatimão – Os estudantes Feliphe David de Oliveira e Hadassa Soares Gomes da Silva, da E.E. Professor Rosalvo Lôbo, em Maceió (AL), desenvolveram um biocurativo sustentável feito a partir da casca da mandioca e do extrato do barbatimão. O projeto propõe uma solução ecológica para curativos, substituindo plásticos e adesivos convencionais no meio hospitalar e doméstico. A membrana biodegradável adere ao ferimento e absorve a umidade, criando um ambiente propício para a cicatrização. O extrato do barbatimão foi escolhido devido às suas propriedades cicatrizantes e baixa toxicidade para aplicação na pele. Em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, os estudantes realizaram testes laboratoriais que demonstraram a capacidade da membrana de absorver líquidos e favorecer a recuperação dos tecidos. Além de ser uma alternativa viável para a saúde, o projeto também contribui para a redução do impacto ambiental, reutilizando um resíduo agrícola abundante e combatendo o descarte inadequado de plásticos.
Moda sustentável: tecidos tingidos com microalgas – A estudante Beatriz Larsen Gallicchio, da Etec Trajano Camargo, em Limeira (SP), encontrou uma forma inovadora e sustentável de tingir tecidos. Em vez de corantes sintéticos, que podem poluir rios, ela desenvolveu um método de tingimento natural utilizando pigmentos extraídos de microalgas e cianobactérias. O projeto utiliza dois micro-organismos especiais: Chlorella vulgaris e Spirulina maxima, que já são amplamente usados na indústria, principalmente na nutrição. A pesquisa envolveu o cultivo dessas microalgas, a extração dos pigmentos e a aplicação nos tecidos. Durante o desenvolvimento, ela aprimorou a fixação da cor ao tecido, utilizando mordentes como o alumínio de potássio, que facilita a aderência do pigmento sem comprometer o meio ambiente.
Além do impacto ambiental positivo, a pesquisa abre caminho para um mercado têxtil mais sustentável e viável economicamente. O projeto combina química e biologia para criar um processo inovador de tingimento, que pode ser aplicado em larga escala como alternativa aos corantes convencionais.
Verdade ou deepfake? IA detecta áudios manipulados – Para combater a disseminação de áudios falsos, estudantes do Colégio Técnico de Campinas – UNICAMP (SP) desenvolveram o UNFAKE, uma ferramenta baseada em inteligência artificial capaz de identificar deepfakes de voz em português. Como não existia um banco de dados específico para esse tipo de detecção, os alunos criaram um dataset próprio para treinar a IA. A tecnologia transforma o áudio em representações visuais do som e, com uma rede neural convolucional, classifica se o áudio é real ou manipulado. O sistema pode ser acessado via site, onde o usuário faz o upload do áudio e recebe a resposta em poucos segundos. A ferramenta apresentou alta taxa de acerto, e os desenvolvedores trabalham para ampliar ainda mais sua precisão, tornando-a eficaz para uma diversidade maior de áudios. O projeto foi criado por Marcos Godinho Filho e Éric Figueira.
Glossários digitais: inclusão e resgate de línguas em risco – Dois projetos usam a tecnologia para tornar a linguagem mais inclusiva e preservar um idioma indígena. No CEFET-MG – Campus Divinópolis (MG), Leticia Luciana Diniz dos Santos criou o Words Matter, um glossário on-line que propõe substituições para termos excludentes da tecnologia, como blacklist e master-slave. O site pode ser acessado em https://wordsmatter.netlify.app/. Já na E.E.E.F.M. Cândido Portinari, de Rolim de Moura (RO), o aluno ItxaLee OyGoyan Cinta-Larga desenvolveu o primeiro dicionário tupi-mondé – português. A língua, falada por quatro etnias de Rondônia, enfrenta o risco de desaparecimento. Com mais de 300 palavras, o material será disponibilizado on-line para indígenas e pesquisadores.
Exploração sustentável: drone subaquático feito com material reciclável – Para facilitar pesquisas subaquáticas e reduzir o impacto ambiental, os estudantes Enzo Persichetto, Leonardo Siqueira Moraes e Maria Eduarda Alves da Silva Prado, da Etec Taubaté, em Taubaté (SP), desenvolveram o DRAST (Dispositivo Remoto Aquático Simplificado Tecnológico), um drone de baixo custo feito com polietileno de alta densidade (PEAD) reciclável. O equipamento coleta dados ambientais, como temperatura e luminosidade, além de capturar imagens e resíduos metálicos com uma garra magnética. O projeto também resultou no MEAR (Material Ecológico de Alta Resistência), uma placa de PEAD reforçada com malha de aço, que combina durabilidade e sustentabilidade para diversas aplicações. Com estrutura leve e grande manobrabilidade, o DRAST pode ser usado em pesquisas científicas e monitoramento ambiental. Futuramente, os criadores pretendem integrar inteligência artificial ao drone para aprimorar suas funções.
Gestão inteligente da água: sensores detectam desperdício – Os estudantes Eric Dener Silva Muniz e Isabelly Pereira da Silva, do IFBA – Campus Camaçari (BA), estão desenvolvendo um sistema inovador para identificar e prever vazamentos de água em redes hídricas. O projeto busca combater o desperdício de um recurso essencial, já que cerca de 40% da água tratada se perde antes de chegar ao consumidor. A solução combina sensores de fluxo instalados em pontos estratégicos da rede com um sistema de monitoramento via aplicativo. Quando ocorrer uma variação anormal na vazão, indicando um possível vazamento, os sensores enviarão um alerta em tempo real. Durante o desenvolvimento, os estudantes perceberam que não existiam modelos matemáticos específicos para monitoramento de vazamentos em instituições educacionais, como escolas e universidades, que possuem padrões de consumo distintos. Para solucionar essa lacuna, estão desenvolvendo um modelo próprio, adaptado à realidade do campus, levando em conta variações de fluxo de água em diferentes turnos e eventos. Atualmente, os pesquisadores estão desenvolvendo o modelo matemático para validar o protótipo e refinando os cálculos para aumentar a precisão na detecção dos vazamentos.
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SERVIÇO:
Local: Inova USP – Campus da USP (Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 370 – Butantã, São Paulo – SP)
25 de março: Mostra exclusiva para autoridades, avaliadores e imprensa (8h30 – 16h30)
26 a 27 de março: Mostra aberta ao público e imprensa (8h30 – 16h30)
Entrada gratuita.
Mais informações: https://febrace.org.br
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Sobre a FEBRACE:
A Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE) é promovida pela Escola Politécnica da USP e realizada anualmente pelo Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC). Seu objetivo é estimular a cultura científica, a inovação e o empreendedorismo entre estudantes do ensino básico e técnico, promovendo soluções inovadoras para desafios contemporâneos. O evento conta com o apoio de diversas instituições acadêmicas, governamentais e da iniciativa privada. Esta edição tem o patrocínio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil, Petrobras, Sebrae e apoio institucional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Governo Federal, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Conselho Regional de Técnicos do Estado de São Paulo – CRT-SP.
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